terça-feira, 14 de junho de 2011

Pausa para o café

Photo Credit: Mart1n

A água fervente deslizando em meio ao pó escuro libera o aroma delicioso e se colore de negro. O líquido transformado, em alta temperatura é despejado em pequena xícara e o vapor dança em frente aos nossos olhos. Após alguns longos segundos a pequena xícara é levada até a boca, por mãos ansiosas por desfrutar o prazer. No encontro entre corpo e néctar, as papilas gustativas se contraem e na mente se forma o gosto amargo da ausência do açúcar. Uma reação que destrói o encanto e a magia do ato. Que desfaz toda a expectativa de saciedade. Sensação que só termina com a substituição por outro sabor que venha nos libertar desta amargura na boca.

***

Se o sabor amargo tem o poder de impregnar nosso paladar, que dizer quando a amargura toma conta de nossa vida, impregnando nossos sonhos, nossos pensamentos e ações? Que sabor experimentamos diariamente ao levantar da cama, que sabor tem nossos beijos em nossos entes queridos. E o que resta de nosso trabalho e estudo se estão imersos no sabor amargo. Muitas pessoas já se acostumaram tanto ao sabor amargo que nem mais o percebem como tal. De acordo com o dicionário, amargura é tristeza, pena, angústia, aflição: curtir a amargura. Acerbidade, acrimônia, azedume: criticou com amargura. Sabor amargo: a amargura da quinina. Como exemplos temos, Rua da amargura, sabor amargo da derrota, chocolate amargo, café amargo. 

De acordo com Joanna de Ângelis a amargura é um agente de transtorno depressivo que nos faz caminhar na direção contrário a do crescimento espiritual. E se caracteriza quando a tristeza, angústia ou melancolia, dominam todas as nossas paisagens mentais nos controlando. Suas origens se encontram tanto em fatos pretéritos, geralmente relacionados a questões de apego, conflitos, frustrações e perdas, quanto na incerteza do futuro. Podem residir também em nossos atos realizados em outras vidas. De acordo com Joanna de Ângelis, 
“... O coração fecha-se quando agasalha a amargura, dá campo ao pessimismo, acumula recriminações e azedume, coleciona ressentimentos... De imediato, a saúde cambaleia, e, aprisionado nesse labirinto de aflições, o ser desgasta-se e perde a direção de si mesmo...” (1)
Para vencer a amargura, seguem algumas dicas reunidas a partir da leitura de diversos autores ((2)(3)(4)(5)):
•      Identificar e combater a origem da amargura
•      Prece
•      Racionalizar
•      Contestar
•      Procurar distração saudável
•      Cultivar pensamentos positivos
•      Refletir 
•      Mudança de estado de espírito 
•      Mudança de hábitos
•      Exercícios aeróbicos
•      Exercícios ao ar livre
•      Exercício da fraternidade
•      Cultivar a auto-estima
•      Cuidar da aparência
•      Trabalhar em conjunto com grupos de apoio – compartilhar experiências
•      Vivenciar pequenas vitórias
•      Ver a situação por outro ponto de vista

“... As dificuldades, de toda ordem, são inerentes à nossa condição humana, –, o fato é que o Pai (Deus) precisa nos encontrar executando as tarefas que nos competem para poder nos ajudar. Então, permaneçamos atentos, agradecendo ao Pai as oportunidades oferecidas, e assim, Seus Mensageiros encontrarão, na própria tarefa, os meios de nos socorrer. Por tudo isso, é importante prosseguirmos ajudando os outros dentro das nossas limitações. Poderemos ser ou estar limitados neste momento, mas não poderemos ser ou estar ociosos, física e/ou intelectualmente...”
(Leda Maria Flaborea)
“...A amargura é vapor morbífico que se exterioriza do sentimento doentio e domina as paisagens da mente, assim como da emoção. Todo o empenho para diluí-la é a proposta-desafio para quem pensa e anela por felicidade hoje e no futuro...” (6)
Este é o resumo de uma palestra que eu apresentei no meu Grupo de Estudos sobre Educação dos Sentimentos. Nosso estudo se baseia na obra Autoconhecimento - uma busca interior (6). E o nosso coordenador propôs que cada integrante apresentasse um capítulo do livro. Entre diversos temas escolhi AMARGURA, por este ser um sentimento muito familiar. Desta forma pude refletir sobre o tema com base no texto, mas também em meus sentimentos e experiências. Assim foi possível compreender melhor este sentimento e encontrar formas de transformá-lo em algo útil e positivo.

Referências Bibliográficas

(1) Amor e saúde – texto ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco, acervo de mensagem do Momento Espírita.
(2) Para viver a grande mensagem - Escrito por Richard Simonetti.
(3) Educação dos Sentimentos - Escrito por Jason de Camargo.
(4) Equilíbrio Íntimo pelo Espiritismo - Escrito por Geziel Andrade.
(5) Inteligência Emocional - Escrito por Daniel Goleman.
(6) Autoconhecimento - uma busca interior - Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco.

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